Havia uma época em que as famílias se reuniam nas casas e em galpões. Ficavam ali durante o final de semana. Às vezes até a quarta, a quinta-feira da outra semana. Eram os Kerbs, festas que nasceram por motivo religioso e foram trazidas ao Brasil pelos alemães. “Foi um legado deixado por nossos antepassados”, diz a aposentada Lucila Colling Forneck. A ex-presidenta da Sociedade Cultural Pareci Novo, fundada em 1913, sendo a segunda mais antiga do município, não esconde a satisfação em poder participar de mais um Kerb da associação na qual esteve à frente por dez anos. A festa deste domingo também servirá para o reencontro de famílias, amigos e pareci-novenses que já não residem mais na cidade. Depois da celebração, o padre, a banda e os participantes devem ir a pé até a Sociedade, onde será o baile. Para Lucila, serão momentos de fé e comemoração em um evento que traz saudades até hoje. “Os músicos ficavam morando nos salões. Estamos preservando três legados dos nossos antepassados, o Kerb, o Tiro de Rei e o Bolão”, lembra Lucila, que participa das festas desde os 27 anos, quando fixou residência na cidade. Recordações de uma época em que as visitas eram mais freqüentes também estão guardadas na memória da aposentada Liana Fell Neutling. Um tempo em que seu pai, Edmundo Fell, já falecido, dava início ao Kerb na sexta-feira. “Vinha um senhor a cavalo e ficava até a terça. O pai contratava até uma cozinheira, porque domingo a casa enchia”, relembra Liana. Hoje o Kerb não acontece mais nas residências. Mas nem por isso deixou de ser menos comemorado pelos pareci-novenses. “Será um momento de reencontrar os amigos, de confraternização na Sociedade”, diz Liana.
Recordações em fotos e objetos
Entusiasmada com a chegada de mais um Kerb, Liana Fell Neutling espera reunir mais de dez familiares neste final de semana. A irmã, Lia Ledur, e o cunhado, Plínio Ledur, vêm de Porto Alegre. Um sobrinho que reside
em Novo Hamburgo deve chegar neste sábado. Ainda tem os de casa, o marido e os filhos. “Enquanto estiver viva, quero continuar a reunir a família, gosto de manter a tradição”, diz Liana. As recordações das festas de Kerb não estão somente na memória de Liana. Ficam penduradas nas paredes, em quadros de fotografias e em vários objetos antigos utilizados pela família. Em uma sala nos fundos da casa, ela guarda uma escova de sapato que fica dentro de um tamanco, material trazido pelos colonizadores. Um jarro de barro, em alemão chamado “Krug”, que era usado para fazer saladas nos Kerbs. Também há uma prensa para tirar banha de porco feita em madeira. “Gosto de guardar isso tudo, é uma maneira de preservar tudo que eles fizeram antigamente”, ressalta Liana.
Kerb inicia com missa
Uma missa na Igreja Matriz São José, no Centro da cidade, às 10 horas de domingo, marca o início do Kerb na Sociedade Cultural Pareci Novo. Terminada a celebração, os participantes, o padre e a banda seguem em caminhada até a associação, onde acontece a primeira parte do baile. Os músicos devem ir cantando músicas típicos dos alemães. Ao meio-dia será servido o almoço, ao custo de R$ 25,00 o casal e R$ 12,50 o cartão para uma pessoa. Às 14 horas, o baile reinicia e deve ir até às 18 horas.
( Reportagem produzida por Éder Romeu Kurz, e publicada no Jornal Ibiá, diário de Montenegro e região do Vale do Caí )