Acordando
A cena desfigura a tela, não reflete o produto na televisão. As pautas, algumas delas, saem dos sites que perambulam pela internet mundo afora. Outras, a maioria, da rotina incessante da cidade em se construir, em se revelar para o mundo real e virtual.
O caso do ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, envolvido em escândalos – que sempre continuam amanhã – o mais alto postulado do governo federal. Isso pode render um bom assunto com políticos locais, oposicionistas e de situação. E assim segue a busca pelas notícias, formação do telejornal, o Jornal do Meio-dia, principalmente.
A pauta chega as nossas mãos antes das 9 horas da manhã. Podemos discordar de uma, mas a maioria terá de ser feita como foi repassado. Mas isso falaremos mais adiante, quando a Kássia já estiver no batente.

Testando
Parte importante no trabalho de um repórter de televisão do interior: sempre verificar o equipamento antes da entrada em campo. O jogo até pode começar, mas não terminará a favor se faltar algo. Testa câmera, diz “testando, testando, testando…” no microfone, volta a fita, escuta o “testando, testando…”, nem precisa ser tudo. Está tudo em ordem.

Na trincheira
Fomos atrás da notícia, feitos combatentes que tentam a todo custo vencer no front da guerra. Câmera funcionando, microfone testado, canopla do programa certo. Vamos as ruas. O prefeito está de viagem marcada para Brasília, em busca dos recursos para o Hospital Montenegro. Entrevistá-lo na Prefeitura é uma tarefa árdua, mas não naquele dia. O prefeito nos receberá sem problemas, e recebeu, estava sorrindo.
Sabemos onde é o gabinete do prefeito. Até de olhos vendados acho que já somos capazes de encontrar a sala ampla, encortinada nas cores merengue, do teto ao chão, a mesa retangular, provavelmente da década de 40, senão antes, no centro. Duas cadeiras próximas ao centro da sala e outras duas, em cada lado da mesa, no costado da parede.
O cinegrafista atrás da repórter, sentada em uma das cadeiras, de frente para o prefeito. A conversa rola, a pauta se desenrola, e temos a matéria.

Espera um pouco
Não pense que somos modernos repórteres que utilizam câmeras pequenas, mais leves, que essas são as melhores. Nada. Pior. Essa câmera, a da foto, sobre aquelas mãos, as mãos da Kássia, é amadora. A única, chamada “Baby” por nós, apelido que colocamos nela, é claro, pelo tamanho diferenciado das outras. Utilizamos ela pouco. Somente quando todos estão concentrados no afazer de uma pauta pelos quatro cantos do município.

Na volta, uma tônica
Ganhamos o front. Estamos com o relógio a nosso favor. Então, por que não uma tônica. Faltam duas quadras para se chegar à TV. A Kássia não é “muito fã” de tônica. Por isso, devia ter registrado o semblante no rosto dela na hora que provou a danada da tônica. Uma foto. Perdi. E percebi que ela não gosta mesmo. Sobrou para o simples e humilde repórter cinematográfico da TV Cultura do Vale. Sem problemas, então. Amigos são para essas coisas, também.